© María Muiña/MAPFRE

© María Muiña/MAPFRE

O “MAPFRE”, barco espanhol na Volvo Ocean Race, já percorreu mais da metade da segunda etapa da Volta ao Mundo, que é disputada entre a África do Sul e os Emirados Árabes Unidos. Apesar da marca significativa, há muito trabalho pela frente para a equipe fazer.

O primeiro passo do time espanhol é constatar que sua estratégia de achar mais vento pelo lado Leste do Oceano Índico deu certo. Depois de voltar ao meio da flotilha, o “MAPFRE” deverá adotar outra tática para conseguir seu objetivo final, como explicou o comandante Iker Martínez. “Primeiro, a passagem pela Linha do Equador. Depois, mais ao Norte, mais uma área sem vento. E não pense que acabou. Após tudo isso ainda teremos umas 1.500 milhas náuticas pela frente”.

21 de novembro: 517,38 milhas em 24 horas

Depois de superar a complicada corrente das Agulhas, no começo da etapa, o “MAPFRE” imprimiu forte velocidade e o barco se transformou numa verdadeira coqueteleira.

Com as extremas condições do Índico e ventos fortes, o “MAPFRE” se candidatou a receber o prêmio IWC Schaffhausen Speed Record Challenge, ao bater o primeiro recorde de singradura, que são milhas velejadas em um dia. Os espanhóis fizeram 517,38 milhas em 24 horas, marca que até agora ninguém bateu.

Negociando a passagem pelos ventos Alísios

Depois de liderar por seis dias a segunda etapa, o “MAPFRE” se separou da flotilha adotando estratégias diferentes. A mais predominante foi buscar o lado direito do Índico (Leste).

A tripulação do “MAPFRE” enfrentou situações difíceis nesses dias, com ventos fortes e muitas vezes contrários, batendo em 23 nós, com picos de 30, durante a noite. Chuvas e constantes mudanças de vela marcaram as primeiras semanas. Os espanhóis souberam bem defender as posições.

Líderes durante três dias e um ciclone que virou tempestade

No dia 27 de novembro, o “MAPFRE”, que brigava milha a milha pela liderança com o Abu Dhabi, reassumiu o posto de número um, assim como na véspera.

Com equilíbrio na flotilha, os espanhóis aceleravam para não perder o posto. “A flotilha está bem equilibrada e junta. Tudo pode mudar de uma hora pra outra. Por isso, a gente não pode relaxar. Falta muita coisa e temos que seguir lutando”, advertia o espanhol Ñeti Cuervas-Mons.

Depois da previsão não concretizada de um possível ciclone, que se transformou em uma tempestade tropical, o sábado seguinte foi de navegação perfeita, com vento de popa e o barco deslizando em mar de brigadeiro. As ilhas de Reunião e Maurício ficavam no retrovisor e os ventos iam sumindo na aproximação aos Doldrums. O “MAPFRE” seguia como líder por mais um dia.

A aposta solitária rumo ao Leste

Nas primeiras horas do domingo, dia 30, o “MAPFRE”  tomou uma decisão que surpreendeu a todos. Foi sozinho para o Leste. No mesmo dia, o Team Vestas Wind se chocou com um banco de areia no Índico e abandou a etapa.

O navegador “MAPFRE”, Jean-Luc Nélias, explicou a decisão de ir ao Leste dizendo que a estratégia poderia ser vantajosa e notada em oito ou nove dias, não de imediato: “Nós estamos indo para o Leste tentando pegar o vento dos alísios que novamente está começando a aparecer. Pode ser também a melhor entrada para os Doldrums do Índico. Por isso, ficou decidido mudar de rumo”.

Na terça-feira, dia 2 de dezembro, depois de quase três dias navegando em direção ao Leste, o comandante Iker Martinez anunciou que tinha finalmente encontrado os ventos alísios.  O “MAPFRE” está cortando quilômetros e já saiu de sexto para quarto em seis horas. Parece que lentamente começa a lucrar com sua escolha oriental.