Depois de superar parte de um problema de transmissão de dados -que deixou a navegação às cegas por quase quatro dias sem informação meteorológica- a equipe espanhola se prepara para cruzar o Equador

"MAPFRE" SE APROXIMANDO DE AUCKLAND

© Francisco Vignale/MAPFRE/Volvo Ocean Race

Desde da largada de Sanya (China) com destino a Auckland (Nova Zelândia), o “MAPFRE” supera vários obstáculos no Oceano Pacífico Norte. Agora, os espanhóis brigam para passar pela calmaria Doldrums e voltar a figurar entre os três primeiros na quarta etapa.

Durante as primeiras 24 horas da perna, as ondas grandes de até quatro metros e o vento de até 25 nós colocaram a tripulação em alerta e no limite. Em terceiro, o barco passava pelo Estreito de Luzón. “Será um período duro e difícil, com várias trocas de posições”, disse Rafa Trujillo.

Não faltou razão para medalhista olímpico. As condições ficaram ainda mais extremas na etapa quatro. “Ficar a bordo do ‘MAPFRE’ é como subir em um toro bravo e desenfreado, que não para de pular. Navegamos com ventos de até 30 nós e algumas vezes com vento contra. O barco espanhol segurou bem a onda e imprimou boa velocidade”, afirmou Francisco Vignale.

No Estreito de Luzón a flotilha se dividiu em dois grupos e o “MAPFRE” escolheu navegar mais ao Sul, perto da costa filipina. A partir deste ponto, os espanhóis colocaram a proa a Nordeste buscando o vento que o colocaria na direção de Auckland.

O “MAPFRE” manteve um intenso jogo de caça com “Abu Dhabi” e “Dongfeng”. O time de Xabi Fernández se alternou em primeiro no pelotão com os adversários até a entrada nos ventos Alísios do Norte.

Durante o quinto dia de competição, a base do outrigger se rompeu e atrapalhou o time. Xabi, “Ñeti” e Willy fizeram a reparação, armando uma estrutura que suportasse o peso do mesmo.

Mas, nem tudo foi legal. O tripulante Willy Altadill machucou a mão direita numa polia após uma troca de vela, causando inchaço e dor. “Ñeti” ligou para o médico da regata, Pablo Díaz-Munío, para ter um diagnóstico preciso. Finalmente não teve outra opção a não ser imobilizar a mão.

Quando tudo parecia melhorar, o repórter a bordo do barco escreveu assim: “Uma peça que segurava uma das extremidades do outrigger quebrou. Carlos correu para a proa para reparar, enquanto Rob tentou segurar a velocidade do barco”. Mas esta não foi a preocupação principal a bordo.

Navegando às cegas
Na noite de 15 de fevereiro, o “MAPFRE” reportou problemas no sistema de transmissão de dados que impediu a equipe de receber as informações meteorológicas, assim como o uso do telefone e envio de imagens e fotos. A situação ficou complicada, mas foi reparada uma das antenas depois de quase 85 horas sem conexão. O Centro de Controle da regata monitorou a todo momento a posição do “MAPFRE” com mensagens curtas pelo Sat-C-. O presidente da MAPFRE, Antonio Huertas, enviou uma mensagem de apoio ao barco espanhol nessa difícil situação.

Depois de uma semana brigando contra os imprevistos, o “MAPFRE” entrou nos Doldrums, onde provavelmente a flotilha ficará novamente junta. Auckland está a 2.500 milhas.