Júri Internacional notificou hoje em Lisboa o resultado dos quatro protestos que afetaram três equipes na Volvo Ocean Race: “SCA”, “Dongfeng” e “MAPFRE”

XABI FERNÁNDEZ: "NÃO SE APLICOU O PRINCÍPIO DA PROPORCIONALIDADE"

© María Muiña/MAPFRE

O Júri Internacional da Volvo Ocean Race notificou hoje em Lisboa o resultado dos quatro protestos que afetaram três equipes da regata de volta ao mundo. A banca liderada pelo francês Bernard Bonneau decidiu penalizar em dois pontos na classificação geral o “SCA”, que teve dois protestos -, e também penalizar em um ponto “Dongfeng” e “MAPFRE”.

Representando o time espanhol estavam o advogado, Luis Sáenz de Mariscal e o velejador Jean Luc Nélias.

Depois de ouvir a decisão final do Júri Internacional, a reação do advogado foi clara e concisa.

Esta situação é realmente lamentável. Cometemos um pequeno erro de navegação, seguimos cerca de 700 metros na direção errada dentro da área de separação de tráfego (TSS). É importante ressaltar que não havia nenhum tráfego, apenas seis nós de vento, visibilidade diurna total e sem perigo para a navegação. O Júri Internacional nos penalizou por isso e nós respeitamos totalmente essa decisão. Mas, eu discordo em alguns aspectos desses casos“, disse Luis Sáenz de Mariscal.

Em primeiro lugar, com os dados disponíveis (posições AIS), o ‘Brunel’ também navegou na direção errada na TSS. No entanto, a Comissão de Regatas decidiu não protestar contra eles. É importante esclarecer que os barcos não podem protestar contra essas violações, somente a Comissão de Regata“.

O advogado da time espanhola acrescentou: “Em segundo lugar, o ‘Dongfeng’ infringiu a regra em duas ocasiões distintas. A primeira vez no TSS mais de um quilômetro contra direção do Buzzard – e cerca de doze horas depois, uma segunda vez no TSS, de Boston para Nova York – mais de quatro quilômetros contra direção – (o “MAPFRE” teve que mudar de vela duas vezes para respeitar a TSS). No entanto, o Júri Internacional decidiu impor a mesma pena à equipe chinesa (duas violações) do que nós (uma infração). Portanto, as sanções não estão proporcionais”.

Por outro lado, o comandante do barco espanhol, Xabi Fernández, deu sua versão.

Na minha opinião, não foi aplicado um princípio de proporcionalidade. Um ponto em uma etapa representa a perda de muitas horas de sacrifício, trabalho, esforço, inclusive de arriscar sua vida em alguns casos; e por uma ação que não tivemos vantagem nos penalizaram, ou seja, me parece desproporcional. Nós acreditamos que poderia ter havido outras sanções, ao invés de penalizar com pontos, para compensar o erro e não iria alterar a classificação geral“.

Pedro Campos, diretor-geral da equipe espanhola, acredita que uma grande organização como a Volvo Ocean Race deve refletir profundamente sobre o grau de confusão em torno das regras que estabelecem. “Na minha opinião, quando quatro dos seis barcos se equivocam e três são penalizados, é a melhor prova de que as regras não são claras, uma vez que, nesta regata, competem os melhores velejadores do mundo, que passam muitas horas e esforço para preparar cada etapa“.